Baseado na obra do escritor Jorge Amado, a esquete O gato malhado e a andorinha sinhá – Uma história de amor retrata o nascimento de um sentimento a primeira vista que, no entanto, é proibido pela diferença racial. Assim, falando de amor que a terceira edição do Cenadoce prendeu a atenção do público, enquanto a atriz Aline Maciel interpretava de forma solo este encanto florestal.
Ele era conhecido como um ser do mal, solitário, sem lei e, sem moral. O gato malhado era tão temido, que pela falta de amigos, nem tomava conhecimento do mal que lhe atribuíam. No entanto, quando a primavera chegou, surgiram na boca e nos olhos do bichano um sorriso jamais visto antes.
O miado romântico acabou por assustar a bicharada e, o debando foi geral. Mas, no alto de uma árvore, por entre os galhos e as folhas lá estava ela: Andorinha Sinhá. A ave nem um pouco assustada logo trocou meia dúzia de trovas com o incrédulo, para o espanto dos animais.
Dali em diante, os pensamentos já não eram mais próprios e o que parecia impossível brotou no solo do parque: um amor primaveril. Mudaram as estações e o sentimento entre o felino e a ave fez nascer um laço sem igual. Mas Andorinha com gato quem no mundo já viu?
Logo, a fofoca fez espalhar e o pai da jovem Andorinha obrigou-a se casar. Afinal, na lei da selva é pata com pato, gato com gata, cachorro com cadela e andorinha com ave. Então, no início do inverno, o gato que não sabia cantar muito menos declamar, escreveu um soneto de amor:
“A Andorinha Sinhá. A Andorinha Sinhô. A andorinha bateu asas
e voou. Vida triste minha vida, não sei cantar nem voar. Não tenho asas, nem penas, não sei soneto escrever. Muito amo a Andorinha, com ela quero casar. Mas a Andorinha não quer, comigo casar não pode. Porque sou gato malhado, ai”.
Então, em um dia ensolarado de inverno, a Andorinha casou-se com o jovem Rouxinol, para a infelicidade e tristeza do gato que voltou a vagar solitário pelos caminhos perdidos de seu próprio eu.
Moral da história? Assim como diz um excerto do texto: “O mundo só vai prestar para nele se viver no dia em que à gente ver um maltês casar com uma alegre andorinha. Saindo os dois a voar, o noivo e sua noivinha, Dom Gato e Dona Andorinha”.