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O doce que conta a história

Tiago Garcia

Publicado 08/06/2010 14:58

 

África mãe é o nome do projeto desenvolvido pela empresária do ramo doceiro Xana Gallo. A tradicional doçaria Berola, criada por sua família, investe na criação de doces inovadores desde a primeira edição da Feira Nacional do Doce (Fenadoce).
 

Este ano, a ideia foi ampliada e como estudante de sociologia, Xana resolveu desenvolver uma pesquisa sobre as raízes do doce no Brasil e no mundo. O resultado apontou a África do Sul como à principal referência tanto no quesito de ingredientes como de mão de obra.
 

Para a empresária, muito se fala dos barões e baronesas e dos tempos do charque, mas por trás dos casarões, estavam os negros que desenvolviam grande parte das receitas daquela época. “O estande pretende resgatar à cultura negra da cidade através do doce”, destaca.
 

Na época em que todas as novidades giram em torno da copa do mundo, Xana ressalta que a Fenadoce não tem laços com o evento futebolístico, por isso, a homenagem é feita à Pelotas e sua herança cultural. “Na minha pesquisa descobri que a própria cana de açúcar veio do continente africano, não existe como negar as influências”, destaca.
 

O espaço Mãe África, localizado na Cidade do doce, superou todas as expectativas e hoje recebe muitas visitas, tanto de turistas quanto das escolas de Pelotas e região. Segundo Xana, muitas pessoas ficaram emocionadas ao ler o texto escrito em uma das paredes do estande, em que é feita uma homenagem aos descendentes do povo africano. “O negro nunca teve uma representação muito grande na cidade e suas contribuições foram fundamentais para a construção de nossa cultura e tradição”.
 

Para a empresária é importante que a história seja recontada e, que os personagens negros conquistem de fato mais valor em meio às raízes do doce pelotense. “Estou muito realizada com o sucesso do projeto e espero que outras pessoas dêem seguimento a esta parte anônima de nossa cultura”, completa.
 

Fonte: Assessoria de Imprensa

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